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George Conway: de aliado a crítico de Donald Trump

Homem de fato analisa documentos numa secretária com jornal e televisão a mostrar Donald Trump ao fundo.
Neste artigo
  1. George Conway: de possível nomeado a crítico de Trump
  2. Confronto público e fim do casamento
  3. Outros aliados de Donald Trump que romperam relações

Durante anos, George Conway exerceu influência longe dos holofotes no Partido Republicano dos Estados Unidos. Advogado de renome, circulava entre as elites políticas de Washington, era casado com uma das mais importantes conselheiras da Casa Branca e chegou a estar na corrida para integrar a administração de Donald Trump. Atualmente, é um dos críticos mais duros do Presidente norte-americano. Nesse percurso, ficou sem o partido, viu amizades desvanecerem-se e acabou por perder o casamento.

George Conway: de possível nomeado a crítico de Trump

Inicialmente, Conway não se posicionava contra Trump - muito pelo contrário. Após a vitória eleitoral de 2017, o seu nome foi apontado para funções de relevo no Departamento de Justiça, entre elas a de solicitador-geral, recorda o Washington Post. Ainda assim, rejeitou o convite, dando início a um afastamento progressivo desencadeado por uma série de episódios.

Um dos primeiros indícios ocorreu num encontro social em 2017, referido pelo jornal norte-americano. Na ocasião, Trump lançou um ataque prolongado ao então procurador-geral, Jeff Sessions. Mais tarde, Conway descreveu o episódio como quase surreal e afirmou que o discurso do atual Presidente dos Estados Unidos era “completamente desligado da realidade”.

A rutura decisiva deu-se no ano seguinte. Num jantar com Ivanka Trump, filha do Presidente, e Jared Kushner, seu genro e também conselheiro da Casa Branca, o chefe de Estado telefonou à filha para falar sobre uma entrevista relativa a uma alegada relação extraconjugal. Para George Conway, foi um ponto de viragem: “Quando saí de casa deles, estava completamente farto. Pensei: ‘Quero que isto acabe’”, relatou ao Washington Post.

Confronto público e fim do casamento

A partir desse momento, o advogado passou a assumir-se como uma das vozes conservadoras mais visíveis contra Trump. Escreveu artigos, participou em comentários televisivos e recorreu às redes sociais para o criticar. Foi ainda cofundador do Lincoln Project, um movimento de republicanos anti-Trump.

A relação deteriorou-se até se transformar num embate público e direto. Trump chamou-lhe “perdedor desequilibrado” e “maluco”. Conway respondeu na mesma moeda, descrevendo-o como “a forma de vida mais baixa à face da Terra”.

O impacto foi significativo. Conway rompeu com o Partido Republicano, perdeu contactos pessoais e divorciou-se de Kellyanne Conway em 2023. “Obviamente, o divórcio foi difícil”, admite. “Mas o número de pessoas que conheci e com quem criei laços muito fortes é enorme”, acrescenta.

Aos 62 anos, apresenta-se agora como candidato democrata ao Congresso por Nova Iorque, numa mudança radical em relação ao seu passado. Reconhece, porém, que Trump continua no centro da campanha: “Tenho explicado há anos o que ia acontecer. Gostava de ter estado errado. Mas isso significa que o que tenho dito é mais relevante do que nunca, certo?”. A biografia na rede social X sintetiza igualmente a sua posição: “A lutar por Nova Iorque e contra Trump com tudo o que tenho”.

Outros aliados de Donald Trump que romperam relações

O caso de Conway está longe de ser isolado. Existem outros nomes influentes que começaram por apoiar Trump, mas acabaram por cortar relações com ele.

Um dos exemplos mais marcantes é Mike Pence, vice-presidente de Trump durante quatro anos e seu aliado fiel. A relação desfez-se depois das eleições de 2020 e do ataque ao Capitólio, quando Pence recusou apoiar as tentativas de anular os resultados eleitorais.

Bill Barr é outro caso. Liderou o Departamento de Justiça entre 2019 e 2020 e, nesse período, foi um dos mais importantes aliados do então presidente, defendendo várias das suas posições mais polémicas.

Também depois das eleições de 2020, Barr rompeu com Trump ao declarar publicamente que o Departamento de Justiça não encontrara provas de fraude eleitoral “numa escala que pudesse ter alterado o resultado”. A afirmação contrariava frontalmente as alegações do próprio presidente e assinalou um claro afastamento entre os dois.

Em muitos dos rompimentos com o Presidente dos Estados Unidos, repete-se o mesmo padrão: a separação acontece após o contacto direto com Donald Trump ou depois de episódios específicos da sua presidência, em especial os relacionados com as eleições de 2020 ou com divergências em matéria de política externa. Mais recentemente, as polémicas ligadas ao caso de Jeffrey Epstein também causaram incómodo a algumas figuras do universo conservador.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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