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18 marcas chinesas que chegam a Portugal

Carro elétrico branco estacionado em garagem moderna com grande janela e ponte ao fundo.
Neste artigo
  1. Aion. A Toyota feita na China
  2. Aiways. A primeira vítima
  3. BYD. O gigante em ascensão
  4. Changan. Da indústria militar ao automóvel
  5. Dongfeng. Dos mísseis às quatro rodas
  6. Farizon. Exclusivamente comerciais
  7. Firefly. Um citadino de grandes ambições
  8. Forthing. Um gigante discreto
  9. Foton. Pronta para trabalhar
  10. Jaecoo. Um SUV chinês sem ser elétrico
  11. Leapmotor. A marca chinesa mais ocidental
  12. Maxus. Uma questão de trabalho
  13. MG. A marca inglesa chinesa
  14. NIO. Uma promessa adiada
  15. Omoda. Um êxito em Espanha
  16. Voyah. Uma marca premium chinesa
  17. Xiaomi. Dos smartphones aos automóveis
  18. XPeng. Não é uma marca de automóveis

Sim, é verdade: 18 marcas chinesas têm estratégias já delineadas para o mercado português. Algumas circulam há algum tempo nas estradas nacionais, enquanto outras estão a finalizar os preparativos para se estrearem em Portugal.

A Aiways foi a primeira marca chinesa a entrar no mercado português com um plano organizado, em 2022. Porém, o percurso não correu como previsto. A marca atravessa atualmente um período de reposicionamento estratégico - o custo de ter sido pioneira? Talvez.

Desde então, sucedem-se, a um ritmo difícil de seguir, os anúncios de novas marcas chinesas com destino a Portugal. Entre elas, sobressai a BYD, que entrou no TOP 20 das marcas mais vendidas no país em 2024. A MG ficou muito próxima, terminando na 21.ª posição.

Neste artigo, reunimos por ordem alfabética todas as marcas chinesas que já comercializam modelos em Portugal ou que confirmaram planos para entrar no mercado nacional.

No total, identificámos 18 marcas. Há, no entanto, pelo menos outras três - não incluídas neste artigo - cujas negociações para chegar a Portugal já se encontram numa fase muito avançada.

Aion. A Toyota feita na China

A Aion é a insígnia dedicada aos elétricos do Grupo GAC (Guangzhou Automobile Group), um dos mais antigos e relevantes construtores chineses. Criada em 2018, nasceu para assumir o papel de marca exclusivamente elétrica deste grupo, maioritariamente detido pelo Governo chinês.

A chegada a Portugal está prevista para os próximos meses, através do Grupo JAP, com os Aion UT e Aion V. O primeiro é um utilitário com mais de 400 km de autonomia; o segundo, um SUV familiar orientado para o conforto e a conectividade.

Na China, a GAC ficou conhecida como a “Toyota chinesa”, em grande parte devido à relação de longa data que mantém com o fabricante japonês no mercado interno. Há décadas que produz sob licença diversos modelos Toyota e Honda na China. Os modelos da GAC surgem frequentemente nas primeiras posições dos rankings chineses de fiabilidade.

Aiways. A primeira vítima

Nem tudo corre bem, nem sequer na China. Fundada em 2017, a Aiways esteve entre as primeiras marcas chinesas a vender automóveis elétricos na Europa, mas também entre as que falharam a maioria dos objetivos estabelecidos.

Quem acompanha de perto a indústria automóvel lembrar-se-á de outros casos de marcas promissoras que não resistiram, como aconteceu com a Qoros.

Representada em Portugal pela ASTARA, a Aiways vende o SUV U5, que anuncia até 400 km de autonomia, e o SUV coupé U6. O futuro da marca está agora em aberto: enfrenta dificuldades perante a concorrência chinesa e, na Europa, continua a ter pouca notoriedade.

Parecia reunir as condições para resultar, mas poderá ter sofrido precisamente por ter chegado cedo ao mercado europeu. O balanço português só não é ainda menos favorável devido ao apoio da reputada ASTARA, importadora de marcas como a Mitsubishi e a Kia no mercado nacional.

BYD. O gigante em ascensão

Inicialmente, o nome gerou alguma dúvida entre os portugueses. Pronuncia-se “bíde” ou “biuaidi”? Dois anos depois, já não restam dúvidas sobre a BYD, sigla de “Build Your Dreams”.

É o maior fabricante mundial de veículos eletrificados e a marca chinesa N.º1 em Portugal, tendo entrado pela primeira vez no TOP 20 do mercado nacional em 2024.

Fundada em 2003, chegou a Portugal em 2023 pela mão da Salvador Caetano, histórica importadora da Toyota e da Lexus. A oferta inicial era composta pelo Atto 3, um SUV compacto, pelo Han, uma berlina premium, e pelo Tang, um SUV de 7 lugares. Atualmente, a gama portuguesa conta com oito modelos, com preços a começar abaixo dos 21 mil euros.

Para lá dos volumes de vendas expressivos, a BYD apresenta outros argumentos ao mercado, incluindo a tecnologia de bateria Blade, que já fornece a fabricantes concorrentes como a Tesla e a Toyota.

Changan. Da indústria militar ao automóvel

A Changan Automobile é um dos mais antigos fabricantes chineses, com raízes estatais e militares que remontam a 1862. Produz hoje mais de 2 milhões de veículos por ano e tem presença em mais de 60 países.

A sua chegada ao mercado português foi marcada na mais recente edição do ECAR Show Lisboa. Representada pelo Grupo Auto-Industrial, iniciou atividade com o Deepal S07, um SUV elétrico desenvolvido em parceria com a Mazda.

É comercializado apenas na variante de topo de gama, equipada com uma bateria de 80 kWh. Custa 44 500 euros e tem na cor da carroçaria o seu único opcional.

Este será apenas o ponto de partida: a Changan planeia lançar um total de nove modelos nos próximos três anos.

Dongfeng. Dos mísseis às quatro rodas

A Dongfeng Motor Corporation integra o grupo dos cinco maiores conglomerados automóveis chineses e foi fundada em 1969. Tal como a Changan, começou ligada ao fabrico de armamento. Atualmente, gere um ecossistema que abrange veículos de passageiros e comerciais, marcas premium, mísseis e veículos militares.

Em Portugal, a representação é assegurada pela Salvador Caetano, que escolheu o elétrico citadino BOX como o modelo central da estreia nacional, com um posicionamento abaixo dos 30 mil euros. E nós já o testámos:

Além da própria Dongfeng, este gigante chinês é proprietário de marcas como a Voyah, vocacionada para o luxo, e a X-Hero, dirigida a um público mais aventureiro. Ambas são representadas em Portugal pela Salvador Caetano.

A exceção é a Forthing, cuja representação nacional está a cargo do Grupo Auto-Industrial.

Farizon. Exclusivamente comerciais

A ofensiva das marcas chinesas não se limita aos automóveis ligeiros de passageiros. Aliás, ganhou maior expressão inicial nos veículos pesados, sobretudo entre os autocarros.

Essa estratégia prossegue agora nos comerciais ligeiros exclusivamente elétricos. A Farizon é representada em Portugal pela Salvador Caetano, uma das empresas nacionais com maior experiência neste setor, um fator relevante para a entrada nos seus canais comerciais.

Firefly. Um citadino de grandes ambições

A Firefly é a nova marca de acesso criada pela NIO para disputar o segmento dos elétricos mais acessíveis. Apesar de alguns atrasos, prevê lançar o seu primeiro modelo no final do ano e será representada em Portugal pelo Grupo JAP.

O primeiro automóvel desta submarca da NIO chama-se Firefly EV. Terá aproximadamente quatro metros, um desenho inspirado nos smartphones - com faróis que remetem para as câmaras dos iPhone -, habitáculo espaçoso e comandos por gestos.

A Razão Automóvel já dedicou vários artigos ao Firefly EV. Poderá ser a peça em falta para a NIO se conseguir afirmar finalmente na Europa. Apesar do desenho e da tecnologia, a operação europeia da NIO não cresceu ao ritmo inicialmente esperado.

Forthing. Um gigante discreto

Como já referimos, a Forthing pertence à Dongfeng Motor Corporation. Foi criada em 2001 e é representada em Portugal pelo Grupo Auto-Industrial desde 2024.

A gama inclui o U-Tour, um monovolume de 7 lugares; o SUV Friday, disponível com motorizações híbridas e elétricas; e a berlina exclusivamente elétrica S7. Destaca-se pela utilização de tecnologia BYD nos sistemas híbridos e pela relação entre equipamento e preço no segmento familiar.

A primeira abordagem ao mercado nacional foi discreta, tanto no estilo como na tecnologia, com produtos ainda bastante afastados das preferências europeias.

Ainda assim, o Grupo Auto-Industrial tem objetivos ambiciosos para a Forthing. Está a trabalhar para garantir cobertura de todo o território nacional e uma logística de peças capaz de responder rapidamente às necessidades dos clientes e das redes de concessionários.

Foton. Pronta para trabalhar

A Foton é especializada em veículos comerciais e faz parte do grupo estatal BAIC. Fundada em 1996, tornou-se um dos maiores construtores mundiais de veículos de trabalho, estando presente em mais de 100 países.

Entrou em Portugal em 2024, representada pelo Grupo JAP, com uma aposta forte na sua pick-up totalmente elétrica. A eTunland anuncia 330 Nm de binário máximo, 177 cv de potência e até 360 km de autonomia, possível graças à bateria de 88,6 kWh.

Com parcerias estabelecidas com marcas como a Cummins, a ZF, a Bosch e a CATL, a Foton desenvolve produtos com soluções técnicas e níveis de qualidade mais próximos dos padrões europeus. Este poderá ser um trunfo perante outros fabricantes chineses concorrentes.

Jaecoo. Um SUV chinês sem ser elétrico

A Jaecoo é uma das marcas mais recentes do Grupo Chery Automobile. Chegou à Europa em 2024, em simultâneo com a marca-irmã Omoda. É uma das insígnias mais jovens desta lista, tendo sido criada em 2023 como divisão dirigida a um estilo de vida mais ativo.

O Jaecoo 7, numa versão híbrida plug-in com tração integral, será o primeiro modelo da marca. Já é vendido noutros mercados europeus, em particular em Espanha, onde a receção tem sido positiva.

Embora ainda não tenha um importador definido para Portugal, a chegada ao nosso mercado é esperada até ao final de 2025. O cenário mais provável é uma representação direta pelo Grupo Chery Automobile.

Leapmotor. A marca chinesa mais ocidental

A Leapmotor é uma start-up chinesa fundada em 2015, especializada em veículos elétricos acessíveis e dotados de tecnologia própria. A sua estrutura acionista inclui a Stellantis, uma característica que a distingue.

Já está disponível em Portugal com dois modelos: o T03, um citadino de 5 portas, e o C10, um SUV médio. Apesar da sua juventude, a Leapmotor tem uma forte componente tecnológica, desenvolvendo internamente baterias, programas informáticos e sistemas de assistência à condução.

Os primeiros modelos têm recebido muitos elogios da imprensa especializada. Para já, não está prevista a partilha de componentes da Leapmotor com as restantes marcas do Grupo Stellantis.

Maxus. Uma questão de trabalho

A Maxus é a marca de comerciais ligeiros da SAIC Motor, um dos maiores grupos da indústria automóvel chinesa. Representada em Portugal pela ASTARA, disponibiliza soluções elétricas para empresas através dos eDeliver3, eDeliver9 e da pick-up T90 EV.

Os modelos Maxus complementam a oferta deste importador, cuja presença nos canais de vendas profissionais é uma das mais fortes em Portugal, resultado da experiência acumulada ao longo dos anos com marcas como a Mitsubishi e a FUSO.

MG. A marca inglesa chinesa

Da histórica marca britânica MG pouco restou além do nome. A insígnia ressurgiu sob a tutela do grupo SAIC Motor e está presente em Portugal desde 2021 com uma gama variada: MG3, utilitário híbrido; MG4, elétrico compacto; MG5, carrinha elétrica; ZS, SUV compacto; HS, SUV familiar híbrido plug-in; e o recentemente apresentado S5 EV, um SUV elétrico.

A ofensiva de produto já abrange diversos segmentos e começa entre os utilitários com o MG3 híbrido, cujo preço arranca abaixo dos 23 mil euros.

NIO. Uma promessa adiada

Fundada em 2014, a NIO beneficia de boa reputação no mercado, sendo reconhecida pelas tecnologias avançadas e pelo desenho dos seus modelos. A marca chega a Portugal em 2025 através do Grupo JAP.

Apesar de parecer reunir todos os argumentos para triunfar na Europa, as vendas tardaram em “arrancar”. A marca prepara agora uma segunda fase de expansão, com presença em vários países, para reforçar a sua posição no “velho continente”.

Omoda. Um êxito em Espanha

A Omoda é a submarca da Chery. Lançada na Europa em 2024 e com chegada a Portugal prevista para 2025, foi bem recebida no mercado espanhol, particularmente sensível ao preço.

Terá contribuído o facto de a ofensiva não ter começado com variantes exclusivamente elétricas. O Omoda 5 é o primeiro modelo e está disponível tanto com motor de combustão como numa versão totalmente elétrica. Como referimos, é uma marca-irmã da Jaecoo.

Voyah. Uma marca premium chinesa

A Voyah é uma das várias marcas do universo industrial Dongfeng e representa a proposta premium deste gigante chinês. Fundada em 2018, é representada em Portugal pela Salvador Caetano.

O porta-estandarte da gama nacional é o Voyah Free, um SUV elétrico de 489 cv e 500 km de autonomia. O objetivo passa por rivalizar diretamente com marcas como a Lexus e a Mercedes-Benz, oferecendo mais equipamento por um valor inferior. Os preços dos modelos Voyah podem ultrapassar os 80 mil euros.

Xiaomi. Dos smartphones aos automóveis

Há quem defenda que os carros se parecem cada vez mais com smartphones. É uma realidade: a utilização de programas informáticos progressivamente mais avançados e de sistemas de conectividade mais complexos criou o contexto ideal para as grandes empresas tecnológicas olharem para a indústria automóvel. Até a Apple chegou a desenvolver planos para um elétrico.

Conhecida sobretudo pelos seus smartphones, a Xiaomi entrou em força no setor automóvel. O seu primeiro modelo foi o SU7, uma berlina elétrica que já possui versões desportivas e que tem batido recordes na Europa. É uma das marcas chinesas mais promissoras.

Há mais modelos a caminho, incluindo um SUV e um crossover. A Xiaomi deverá chegar a Portugal em 2027, embora ainda não tenha definido importador nem modelo de negócio. A Razão Automóvel sabe que existem vários grupos interessados em representar a marca, cujo objetivo é alcançar uma presença global. Na nova fábrica de veículos Xiaomi, em Pequim, sai um automóvel da linha de produção a cada 72 segundos. A operação é 91% autónoma e 100% das operações críticas já funcionam de forma autónoma.

A empresa desenvolveu as suas próprias máquinas de fundição de grandes peças, bem como o aço utilizado nos seus automóveis. O aço da Xiaomi é mais resistente do que o usado em submarinos, juntando a marca à Tesla como as únicas duas a produzir um composto com este nível de resistência na indústria automóvel.

XPeng. Não é uma marca de automóveis

É a própria XPeng que o afirma: assume-se como uma empresa de programas informáticos, e não como uma marca de automóveis. Fundada em 2014, é uma das marcas chinesas com soluções tecnológicas mais avançadas, especialmente nos sistemas de apoio à condução.

Está representada em Portugal pela Salvador Caetano desde 2024. Estreou-se no mercado nacional com o G6, um SUV coupé de dimensão média; o G9, um SUV elétrico de luxo com autonomia até 570 km; e o P7, uma berlina de estilo coupé.

Na China, é um dos parceiros preferenciais da Volkswagen. O grupo alemão reforçou significativamente a sua presença junto da XPeng, mantendo várias parcerias em curso para partilhar tecnologia e desenvolver novos modelos.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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