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F. C. Porto: o ABC do 31.º título de campeão nacional

Jogadores do FC Porto celebram vitória com troféu e champanhe num campo de futebol.
Neste artigo
  1. A - André Villas-Boas
  2. B - Bednarek
  3. C - Capitão
  4. D - Diogo Costa
  5. E - Emprestados
  6. F - Francesco Farioli
  7. G - Gabri Veiga
  8. H - História
  9. I - Invasão
  10. J - José Pereira da Costa
  11. K - Kiwior
  12. L - Lesões
  13. M - Mercado
  14. N - Números
  15. O - Oskar
  16. P - Pablo Rosario
  17. Q - Quilómetros
  18. R - Rotação
  19. S - Samu
  20. T - Thiago Silva
  21. U - UEFA
  22. V - Victor Froholdt
  23. W - William Gomes
  24. Y - Ying-Yang
  25. X - Xadrez
  26. Z - Zaidu

A viagem pelas figuras, episódios e dados do 31.º título de campeão nacional. Uma revolução marcante conduzida por André Villas-Boas, que encontrou em Francesco Farioli o técnico certo, tanto pela estratégia como pela sintonia com o espírito do clube. A "família portista" viveu uma perda irreparável, que transformou também em motivação coletiva.

A - André Villas-Boas

Aos 48 anos, conquista pela primeira vez o campeonato nacional enquanto presidente, na sua segunda temporada à frente do F. C. Porto. Depois de uma estreia difícil e agitada, Villas-Boas soube mudar radicalmente o rumo dos acontecimentos, como demonstram todas as letras seguintes. Do treinador ao mercado, da comunicação às finanças, a recuperação foi total.

B - Bednarek

Líder sem necessidade de braçadeira, capitão por natureza e referência de experiência e qualidade na organização defensiva. Não se limitou a comandar a muralha: também apareceu na área adversária para causar problemas e apontar o golo do título. Foi o primeiro nome da legião polaca a chegar ao Dragão e depressa dissipou as dúvidas que pudessem surgir por vir de um Southampton despromovido.

C - Capitão

Jorge Costa morreu subitamente a 5 de agosto de 2025, deixando o F. C. Porto sem rumo e novamente mergulhado no luto, seis meses após a morte de Pinto da Costa. Da dor nasceu força, como o Bicho gostaria. O capitão sorriria ao perceber que os dragões voltavam a ter uma verdadeira equipa, sinal antecipado de um êxito que todos dedicaram ao número 2.

D - Diogo Costa

Foi um dos poucos sobreviventes da época anterior e revelou-se um pilar de que o F. C. Porto tanto necessitava, dentro e fora das quatro linhas, à altura da braçadeira. Somou vários jogos sem sofrer golos, nem sempre apenas graças aos restantes dez, que raramente deixaram os adversários aproximar-se com perigo. Quando foi chamado a intervir, respondeu com qualidade e rapidez, sendo também decisivo na saída para o ataque.

E - Emprestados

Como o orçamento não permitia resolver tudo, a SAD encontrou alternativas. Kiwior chegou por empréstimo, com a compra definida para 2026, ano em que Seko Fofana e Terem Moffi também foram cedidos para preencher carências entretanto surgidas. O médio, em particular, acabou por ser determinante, contribuindo com golos importantes e grande experiência.

F - Francesco Farioli

Juntamente com André Villas-Boas, foi o principal responsável pelo 31.º título. Aos 37 anos, o treinador assumiu a liderança da "Famiglia Portista" e conquistou os adeptos desde o primeiro momento. Recuperou a esperança através de uma equipa competitiva, intensa e regular, formada e corrigida durante a caminhada, sem deixar ninguém de fora da importância do projeto. Campeão nacional pela primeira vez, renovou logo o vínculo em janeiro.

G - Gabri Veiga

O camisola 10 chegou ao Dragão antes do Mundial de Clubes, mas foi em 2025/26 que a sua história realmente arrancou. De regresso após a passagem pela Arábia Saudita, o médio galego precisou de tempo para recuperar a melhor condição física, embora tenha avançado progressivamente com golos e assistências.

H - História

Depois das grandes desilusões da temporada anterior, num momento estrutural delicado, com um presidente ainda recente e dificuldades financeiras, este poderá muito bem entrar na lista dos campeonatos mais relevantes da história do F. C. Porto.

I - Invasão

Se houve algo de que o F. C. Porto nunca teve motivos para se queixar foi de apoio. O Dragão registou a maior média de assistência de sempre e, nas deslocações, teriam sido vendidos ainda mais bilhetes se existissem, em praticamente todos os jogos, do Minho à Madeira.

J - José Pereira da Costa

O responsável pela área financeira fica diretamente associado a este sucesso. Em 2024, a situação económica do clube era extrema, tendo mesmo existido salários em atraso. A dívida da SAD e o acordo com a Ithaka foram renegociados, enquanto o mercado foi preparado - e apresentado - com detalhe, num processo de recuperação ainda em andamento, mas que já permite ao clube respirar com tranquilidade.

K - Kiwior

Foi uma das operações mais inesperadas do mercado. Chegou do Arsenal por empréstimo, com a compra prevista para este verão, e formou com Bednarek a "Polish Wall". Dois jogadores de características complementares, com Jakub a exibir-se com enorme classe e ainda a dar resposta no corredor esquerdo da defesa.

L - Lesões

Terá sido, provavelmente, o maior obstáculo da temporada. Nehuen Pérez rompeu o tendão de Aquiles em setembro, mas a infelicidade não terminou aí: Farioli perdeu Luuk de Jong em duas fases: em novembro, desta vez em definitivo, devido a uma rotura de ligamentos. Samu sofreu a mesma lesão em fevereiro, deixando o F. C. Porto apenas com Deniz Gul e Terem Moffi para essa posição.

M - Mercado

Este foi o alicerce de toda a transformação do F. C. Porto, que reformulou profundamente o plantel. No verão chegaram dez jogadores, aos quais se somaram mais quatro no inverno, para compensar quase o mesmo número de saídas, num investimento de cerca de 80 milhões de euros e receitas praticamente idênticas. Entraram nomes de peso, atletas experientes e outros com margem de progressão. Victor Froholdt foi o reforço mais caro (20 milhões de euros), mas já parece um preço baixo nesta fase, enquanto Francisco Conceição foi transferido por 32 milhões de euros.

N - Números

Quando asseguraram o título, os dragões tinham 85 pontos: 27 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, no campo do Casa Pia. Marcaram 64 golos e sofreram 15, com destaque para a melhor primeira volta da história do futebol português, marcada por 16 triunfos e um único empate, em casa diante do Benfica. Continua em disputa o recorde de pontos da I Liga, pertencente ao FC Porto, que atingiu os 91 pontos em 2021/22.

O - Oskar

O jovem polaco chegou ao Dragão aos 17 anos, durante o mercado de inverno, vindo do Jagiellonia Bialystok. Oskar Pietuszewski causou impacto imediato: nos seus primeiros minutos pelo F. C. Porto, conquistou o penálti que abriu caminho ao triunfo por 1-0 em Guimarães. Tratado no Olival como filho de Bednarek e irmão de Kiwior, devolveu atrevimento ao ataque portista e marcou um grande golo na Luz, deixando Otamendi nas covas.

P - Pablo Rosario

Médio, defesa-central, lateral... a Pablo Rosario apenas faltou atuar no ataque e na baliza. Já tinha trabalhado com Farioli no Nice e foi uma contratação pedida pelo treinador, consciente de que encontraria no internacional dominicano uma espécie de prolongamento seu dentro de campo. Aos 29 anos, experiente e sempre muito tranquilo com bola, tornou-se uma peça de enorme valor no plantel do novo campeão.

Q - Quilómetros

A intensidade é uma das ideias que melhor caracteriza esta equipa do F. C. Porto, que correu mais do que os seus adversários em todos os encontros. Com o inglês Callum Walsh, que já colaborara com Farioli, como preparador físico, os dragões revelaram elevada capacidade atlética, mesmo nos períodos de calendário mais apertado, também graças à utilização ponderada do plantel.

R - Rotação

Em ligação direta com a letra anterior, Farioli foi extremamente rigoroso na gestão dos jogadores, quer durante os jogos, quer de encontro para encontro. Não hesitou em quase dividir o plantel entre o campeonato e as eliminatórias da Liga Europa, ficando muito perto de alcançar, pelo menos, as meias-finais. Alan Varela-Pablo, Thiago Silva-Kiwior, Gabri Veiga-Mora, Pepê-William e Fofana-Froholdt foram algumas das duplas geridas pelo italiano.

S - Samu

O melhor marcador da equipa iniciou a primeira metade da época em ritmo elevado, chegando aos 18 golos antes de 2026. Após a entrada no novo ano, viveu uma fase menos conseguida até ver a temporada terminar em fevereiro, devido a uma lesão grave. Fechou com 20 golos e uma evolução evidente no jogo de apoios e associativo. Em julho, a SAD passou a controlar 100% do passe do internacional espanhol, que muito provavelmente seguiria para o Mundial.

T - Thiago Silva

Uma conversa, uma carta de André Villas-Boas e o regresso a casa, duas décadas depois. Aos 41 anos, o experiente central brasileiro sentia que deixara uma história incompleta no F. C. Porto e quis concluí-la, chegando em janeiro com um currículo repleto de títulos, competitividade de alto nível e o profissionalismo habitual. Mais um líder exemplar, com uma voz tão calma quanto respeitada no balneário.

U - UEFA

A temporada permitiu igualmente recolocar o F. C. Porto em percursos mais habituais nas provas europeias, após uma Liga Europa muito fraca em 2024/25 e um Mundial de Clubes desastroso. Apurado entre os oito primeiros da segunda competição da UEFA, eliminou o Estugarda e caiu nos "quartos" perante o Nottingham Forest, numa eliminatória ingrata. Na próxima época, voltará à Liga dos Campeões, competição em que continua a ser uma das equipas com mais presenças.

V - Victor Froholdt

Para muitos, foi o melhor jogador do campeonato. O médio contratado pelo FC Porto ao Copenhaga, internacional dinamarquês, tornou-se um dos rostos da revolução portista e rendeu de imediato os adeptos, com as suas primeiras arrancadas e recuperações de bola. Com apenas 20 anos, é um talento jovem e um dos pilares da estratégia portista, tendo somado oito golos e sete assistências.

W - William Gomes

Chegou ao Dragão a meio da malograda temporada 2024/25 e encontrou na atual a estabilidade de que precisava para evoluir. O extremo brasileiro é o segundo melhor marcador da equipa, atrás de Samu, com 13 golos, incluindo um dos melhores do campeonato, no triunfo por 2-1 em Alvalade.

Y - Ying-Yang

O plantel do F. C. Porto foi construído a partir de uma combinação interessante entre a experiência acumulada e a irreverência da juventude. Esse equilíbrio tornou possível, por exemplo, ver em campo ao mesmo tempo um jogador de 41 anos e outro de 17.

X - Xadrez

Farioli manteve-se fiel ao 4x3x3 do princípio ao fim, mas construiu uma equipa capaz de assumir diferentes registos, desde a pressão alta até a um bloco mais baixo. As bolas paradas foram também armas importantes, gerando dezenas de golos graças ao estudo e à criatividade de Lino Godinho e Lucho González, aliados à qualidade técnica dos executantes.

Z - Zaidu

Foi um dos quatro jogadores do atual plantel - Eustáquio saiu a meio - que já sabiam o que era conquistar o campeonato pelo F. C. Porto. A CAN afastou-o da utilização durante algum tempo, mas regressou a um nível muito competente quando a equipa mais precisava, no período de maior tensão da época.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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