Guarda Revolucionária do Irão interceta navios no estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irão afirmou este domingo que intercetou vários navios que procuravam atravessar o estreito de Ormuz sem a sua autorização, numa altura em que se agrava a tensão entre Teerão e Washington em torno do controlo desta rota marítima estratégica.
"Quatro navios, agindo de forma maliciosa e com o apoio de terroristas norte-americanos, tentaram atravessar o estreito de Ormuz (...) ignorando os avisos", declarou a Guarda Revolucionária num comunicado. Segundo a organização, "dois desses navios sofreram um acidente e ficaram imobilizados, enquanto os outros dois desistiram de prosseguir a sua rota".
O corpo militar não avançou pormenores sobre o acidente que envolveu as embarcações. Indicou, contudo, que os quatro navios tentavam abandonar o estreito através de uma rota que não tinha sido autorizada por Teerão.
Num comunicado transmitido pela radiotelevisão estatal iraniana IRIB, a Guarda Revolucionária responsabilizou as tripulações dos dois cargueiros pelo sucedido. De acordo com a versão iraniana, os navios desligaram os respetivos sistemas de navegação "em conivência com os terroristas dos Estados Unidos", procurando evitar os controlos do Irão e ignorando os alertas das suas forças marítimas após terem sido detetados.
Teerão exige autorização para a passagem marítima
"Nem uma única gota de petróleo, gás ou fertilizante químico atravessará o estreito de Ormuz sem coordenação e autorização", garantiu a Guarda Revolucionária. O organismo advertiu ainda que os navios que acatarem as recomendações dos Estados Unidos e entrarem numa rota classificada como insegura "sofrerão (...) incidentes".
A tensão no estreito de Ormuz intensificou-se no quadro de uma nova escalada militar entre o Irão e os Estados Unidos desde o último fim de semana. Esta escalada incluiu ataques norte-americanos no sul do território iraniano e ações de retaliação de Teerão contra objetivos norte-americanos em vários países do Médio Oriente.
O Irão mantém que deve controlar esta passagem marítima e exige que os navios utilizem as suas rotas, mediante a sua autorização. Os Estados Unidos e outros países da região parecem não estar dispostos a aceitar essas condições.
No início de julho, Omã abriu uma segunda rota com apoio dos Estados Unidos. Em resposta, o Irão atacou navios comerciais que tentavam cruzar essa via.
Além disso, Washington reativou na terça-feira o bloqueio naval a navios e portos iranianos no estreito de Ormuz, dois dias após Teerão ter anunciado um novo encerramento da passagem. Antes da guerra, por este estreito transitava 20% do petróleo mundial.






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