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Peskov critica violência nos protestos estudantis em França

Jovem levanta a mão e mostra telemóvel com discurso, rodeado por manifestantes sentados e polícia à distância.

Peskov critica violência nos protestos estudantis em França

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, condenou esta quarta-feira os atos violentos praticados por alguns participantes nos protestos estudantis que decorrem há duas semanas em França, incluindo ações de vandalismo contra estabelecimentos de ensino franceses.

Durante a conferência de imprensa diária por telefone, Peskov afirmou que os estudantes são valorizados na Rússia, mas declarou que "aqueles que incendeiam escolas, contentores de lixo e carros, que atacam polícias, são maus alunos". Embora tenha salientado que "o que acontece em França é assunto interno da França", o porta-voz aproveitou para enaltecer o modelo educativo russo.

"Tanto o Governo como o Presidente, [Vladimir Putin], estão a fazer tudo o que é possível para melhorar o sistema educativo, para abrir novos centros educativos, novas escolas", afirmou, acrescentando que todos os anos são construídas ou reabilitadas milhares de escolas na Rússia. De acordo com Peskov, estas medidas destinam-se a assegurar que a educação russa "está verdadeiramente ao mais alto nível internacional".

"A julgar pelo que está a acontecer em França, o nosso sistema educativo supera mesmo o padrão internacional, se é que o sistema educativo francês pode ser associado a um padrão internacional de alguma forma", declarou. Confrontado com perguntas sobre a violência policial que causou várias vítimas nas manifestações em França, Peskov respondeu que essa matéria deveria ser colocada às autoridades francesas, e não ao Kremlin.

Protestos estudantis juntam milhares em França

Na terça-feira, os protestos estudantis mobilizaram dezenas de milhares de pessoas em Paris e noutras grandes cidades francesas. Os manifestantes exigem melhorias na educação e contestam os cortes no setor público, num momento em que o Governo francês enfrenta pressão devido à falta de confiança dos mercados. Segundo o Ministério do Interior, participaram 266 mil pessoas em toda a França, enquanto os grupos estudantis organizadores apontaram para 450 mil.

Em Paris, as autoridades registaram 56 mil participantes, ao passo que os organizadores calcularam 100 mil manifestantes. A contestação dos alunos do ensino secundário começou em meados de setembro numa escola da periferia de Paris e propagou-se por todo o país, com reivindicações por melhores condições escolares e uma organização mais eficaz dos estudos. Vários sindicatos e partidos de esquerda apoiaram o movimento.

Perante a crescente agitação social, o Presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu na noite de terça-feira com vários ministros para procurar uma resposta para a crise. Alguns sindicatos de estudantes pretendem manter os protestos até 17 de outubro, data em que está prevista uma manifestação contra o elevado custo de vida.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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