Mais de 400 camiões têm já presença confirmada na marcha lenta agendada para esta sexta-feira, embora o número de participantes continue a aumentar. Miguel Machado Mendes, advogado representante do movimento, revelou esta quarta-feira à Razão Automóvel que o total poderá atingir sem dificuldade os 500 veículos pesados.
“Sim, o número final pode ascender facilmente aos 500 camiões”, afirmou-nos, dizendo estar bastante surpreendido com a capacidade de mobilização alcançada pela iniciativa. “Foi uma surpresa reunir tanta gente em tão pouco tempo”, contou.
O protesto reúne empresários dos setores da extração de materiais, terraplanagem, escavação, movimentação e transporte de terras e inertes. A subida do custo dos combustíveis, em especial do gasóleo, motiva a manifestação e está a afetar diretamente as empresas cuja atividade depende de camiões e de maquinaria pesada.
Negócios em risco
“Vamos sair à rua porque se bateram sucessivos recordes no preço dos combustíveis”, explicou o advogado. Segundo Miguel Machado Mendes, muitos destes empresários já suportam diretamente o agravamento dos custos, numa situação que começa a ameaçar a continuidade da própria atividade.
“As pessoas vivem na pele este drama e sentem que os seus negócios estão em risco”, afirmou, acrescentando que a insatisfação do setor decorre também do facto de as empresas participantes na marcha lenta ficarem excluídas das atuais medidas governamentais de apoio aos combustíveis.
Importa recordar que esta atividade não está incluída nos apoios destinados aos setores considerados mais vulneráveis ou com capacidade para repercutir o aumento dos custos no restante tecido económico, como explicou no início desta semana a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. A agricultura, a pesca, os transportes públicos e de mercadorias e os bombeiros figuram entre os setores abrangidos.
Uma despesa que não para de crescer
Os níveis de consumo permitem entender a dimensão deste encargo. Alguns dos camiões utilizados por estas empresas têm depósitos com cerca de 500 litros e, de acordo com o advogado, podem consumir facilmente 1000 litros de combustível por dia.
Tomando como referência o preço médio do gasóleo em Portugal nesta semana, de 2,221 euros por litro, 1000 litros representam um custo aproximado de 2221 euros. Antes do início do conflito entre os EUA e o Irão, quando o preço médio era de 1,635 euros por litro, a compra da mesma quantidade exigiria cerca de 1635 euros. A diferença ronda, por isso, os 586 euros por cada 1000 litros.
Segundo Miguel Machado Mendes, um destes camiões consegue consumir facilmente 20 mil litros de combustível mensais. Com base nesse volume, a despesa mensal ascende a cerca de 44 420 euros, ou seja, mais 11 720 euros do que o montante necessário ao preço médio verificado antes do início do conflito.
Governo ainda não fez contactos
Apesar da mobilização já alcançada pela iniciativa e do impacto potencial previsto para a próxima sexta-feira, o advogado que representa o movimento afirma não ter recebido ainda qualquer contacto do Governo.
“Até hoje não fomos contactados por rigorosamente ninguém do Governo”, reiterou.
A marcha lenta realiza-se nesta sexta-feira, 25 de setembro, com saída marcada para as 08h00 junto à entrada da A42, em Lordelo, Paredes. A coluna de camiões seguirá depois pelas autoestradas A42, A41 e A1, em direção a Coimbra, onde a chegada está prevista para cerca das 13h00.
A organização assegura que o percurso já foi comunicado às autoridades competentes. Admite igualmente a participação de empresários e camionistas de outras regiões do país, o que poderá resultar numa segunda coluna de camiões a partir do Carregado, também com destino a Coimbra.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário