Ainda na manhã desta segunda-feira registavam-se situações isoladas de alunos que não conseguiam consultar a classificação da prova do 9.º ano. Um desses casos verificou-se na Escola Secundária Clara de Resende, no Porto, onde os estudantes relataram frustração e perplexidade perante os problemas na correção dos exames nacionais.
Depois de, na sexta-feira, já perto do fim da noite, mais de uma centena de alunos e encarregados de educação ter entrado na Escola Secundária Clara de Resende, no Porto, para consultar os resultados dos exames praticamente sem luz, vários estudantes regressaram ao estabelecimento na manhã desta segunda-feira e depararam-se novamente com incerteza. Com notas ainda em "suspenso" e a necessidade urgente de pedir a realização da prova na segunda fase, a maioria admite estar confusa perante o caos e os atrasos associados aos exames.
Pouco depois das 9.30 horas, Moisés Oliveira, aluno do 9.º ano, dirigiu-se à Escola Secundária Clara de Resende, no Porto, para conhecer a nota do exame nacional. Decorrida mais de uma hora, acabou por sair sem ter conseguido ver o resultado. "Disseram-me que era rapidinho, que estavam só a pôr os nomes nas grelhas", contou ao JN o estudante de 15 anos, que aponta a "desorganização" de todo o procedimento.
Notas do 9.º ano demoraram a ser divulgadas
Embora o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, tenha indicado que quase todos os estabelecimentos já tinham afixado as classificações do 9.º ano, a Clara de Resende aparentava ser uma exceção. Já perto da hora de almoço desta segunda-feira, persistiam casos de alunos impossibilitados de consultar as suas notas.
Na noite de sexta-feira, os portões da escola abriram pouco depois das 23 horas para permitir a consulta das classificações dos exames nacionais do 12.º ano. Muitos estudantes viram as notas quase às escuras, num ambiente marcado por dúvidas e incertezas. A escola encerrou depois durante o fim de semana, obrigando quem não obtivera resposta a aguardar por segunda-feira para tentar esclarecer a situação, a menos de 24 horas do início da segunda fase dos exames nacionais.
Leonor Sousa e Rita Azevedo estavam entre esses alunos e entendem que todo o procedimento desvaloriza o trabalho desenvolvido ao longo do ensino secundário. "É muito mau, porque é feito um esforço durante três anos e depois, no fim, há toda esta confusão e pressão sobre os exames com correções mal feitas", lamentaram.
João Pereira, de 18 anos, fez este ano os exames de Português, Matemática A e Física e Química A e mostra-se desapontado com o que tem visto acontecer: "É muito chato o que está a acontecer. Ouvi falar de uma pessoa que teve menos três valores, o que é impossível". Perante o adiamento dos prazos e a divulgação de resultados incorretos, o aluno afirmou querer inscrever-se na segunda fase para procurar subir a classificação.
Alunos da Clara de Resende confusos com os prazos
Na mesma escola, Inês Dias dirigiu-se diretamente aos serviços administrativos para solicitar a reapreciação de uma das provas e efetuar a inscrição na segunda fase, depois de o seu explicador lhe ter recomendado que contestasse a nota.
Perante os sucessivos adiamentos na divulgação das classificações, a aluna entende que "os prazos estão a atropelar-se" e que muitos estudantes já não sabem ao certo que datas têm de respeitar: "Sentimo-nos perdidos".
A demora também tem efeitos concretos para Moisés Oliveira. O aluno quer continuar os estudos na Escola Carolina Michaelis, onde pretende frequentar Espanhol e Economia, mas refere já ter encontrado obstáculos no processo de inscrição, agravados pela falta de definição em torno das classificações.
Na Escola Secundária Carolina Michaelis, o ambiente era mais calmo no início da manhã. A diretora, Isabel Silva, adiantou que, na sexta-feira, apenas um número limitado de exames apresentava nota "suspensa" e que esses casos foram solucionados na manhã desta segunda-feira, após a retificação das classificações. A prioridade da direção passa agora pelas inscrições para a segunda fase e pelos pedidos de reapreciação.
Sob pressão, Maria procura melhorar a nota
Ainda assim, as consequências deste processo fazem-se sentir entre os alunos. Maria Barbosa e Maria Peniche reconhecem, por exemplo, que a situação aumentou a pressão numa fase que habitualmente já é particularmente exigente para os estudantes.
No caso de Maria Peniche, embora a sua nota não tenha ficado suspensa, vai voltar a realizar o exame de Português para tentar melhorar a classificação. Tinha 17 valores de classificação interna, mas obteve 12 no exame, resultado que reduziu a classificação final da disciplina para 16 valores.
Os constrangimentos surgiram depois de os exames nacionais do ensino secundário terem sido digitalizados para correção pela primeira vez, apesar de continuarem a ser realizados em papel.
As falhas na plataforma e no processo de digitalização levaram ao adiamento da divulgação dos resultados e fizeram com que mais de 1400 exames constassem das pautas com a indicação de "suspenso". De acordo com o EduQA, os ficheiros com essas classificações só foram enviados às escolas no domingo, tendo também sido corrigidas várias notas que continham erros.






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