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NERVIR defende estratégia regional para atrair investimento ao Interior

Mulher apresenta projeto com mapa e gráfico em mesa ao ar livre, com vinhas e rio ao fundo.
Neste artigo
  1. Estratégia regional para investimento e emprego qualificado
  2. Fragmentação institucional
  3. Diáspora, indústria e desafios logísticos
  4. Conferência vai perspetivar próxima década

A Região de Trás-os-Montes e Alto Douro vive uma fase determinante do seu percurso económico e social. Sob a orientação da NERVIR - Associação Empresarial de Vila Real, está a ser preparada uma estratégia regional que pretende pôr empresas e municípios a agir de forma concertada. A meta passa por captar investimento, gerar emprego qualificado e impedir a saída de jovens com talento. Este compromisso estará no centro do II Fórum Empresarial do Douro, marcado para quarta-feira, 20 de maio de 2026, na Casa de Mateus, e que termina com uma gala empresarial em Alijó.

Mário Rodrigues, presidente da NERVIR, sublinha a urgência do momento e considera que a região "não tem mais margem de erro ou de espera". Na sua perspetiva, o desenvolvimento do território exige que o investimento privado assuma um papel central, defendendo que "têm de ser as empresas, o investimento privado a alavancar a região". Esta abordagem afasta a dependência exclusiva de apoios ou iniciativas estatais, privilegiando a capacidade produtiva existente no território.

Estratégia regional para investimento e emprego qualificado

Fragmentação institucional

A dispersão institucional é apontada como um dos principais obstáculos. Embora recuse que empresas e municípios estejam "de costas voltadas", Mário Rodrigues reconhece que o "trabalho em rede" continua a ser insuficiente. Para responder a essa falha, está a ser criada uma agência regional de investimento que, numa primeira fase, reunirá sete municípios: Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Murça, Alijó, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua. A parceria pretende alcançar maior escala, já que "não faz sentido cada um por si estar a fazer um trabalho de atração de novas empresas" quando uma ação conjunta é mais robusta e duradoura.

Neste contexto, cabe aos municípios uma função essencial na criação das condições necessárias, desde processos de licenciamento rápidos até à oferta de áreas industriais adequadas. Porém, a mobilização local requer também apoio a nível nacional. A NERVIR defende políticas públicas de discriminação positiva que garantam "vantagens competitivas relevantes" ao Interior. Iniciativas isoladas, como a redução das portagens, são consideradas favoráveis, mas insuficientes se não integrarem um "plano estratégico" abrangente que torne Vila Real ou Alijó mais atrativos para o capital do que outras zonas do país.

Diáspora, indústria e desafios logísticos

A NERVIR considera a diáspora duriense e transmontana um recurso "importantíssimo". Os naturais da região que vivem espalhados pelo Mundo podem ajudar a promover o território, captar contactos e trazer conhecimento. Muitos pretendem regressar, mas necessitam de encontrar oportunidades reais e sustentáveis para o fazer. Em termos setoriais, mantém-se a aposta na fileira agroalimentar - vinho, azeite e fumeiro - e no turismo de qualidade. Ainda assim, Mário Rodrigues salienta a importância de diversificar e verticalizar as indústrias.

Falta à região um "cluster instalado", bem como empresas de serviços complementares, nomeadamente de vidro, rótulos e embalagens. A inexistência de uma rede de fornecedores sólida em redor das grandes indústrias representa uma fragilidade: "se amanhã uma grande empresa sair daqui, não fica nada à volta". A logística permanece um entrave, agravado pela reduzida dimensão das empresas, que aumenta os custos de transporte, sobretudo na distribuição com temperatura controlada. A isto junta-se uma "barreira psicológica" relativamente ao Marão. Apesar de centros como o Porto ou Braga estarem a menos de uma hora, essa proximidade ainda não é plenamente reconhecida, tornando urgente reforçar a comunicação regional. O êxito do plano será avaliado pela evolução dos indicadores demográficos ao longo dos próximos dez anos. Reter jovens talentos é uma prioridade essencial.

Conferência vai perspetivar próxima década

O II Fórum Empresarial do Douro decorre na quarta-feira, 20 de maio, na Casa de Mateus, em Vila Real. O programa centra-se no tema dos "50 anos do Poder Local - Empresas, Municípios, Economia". A sessão começa às 9.30 horas, com intervenções de Mário Rodrigues, presidente da NERVIR, Alexandre Favaios, presidente da Câmara de Vila Real, e Rafael Barbosa, diretor do JN. O encontro reúne autarcas, empresários, responsáveis institucionais e representantes da diáspora para discutir a coesão territorial e a capacidade de atrair talento e investimento para a região. Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local, Álvaro Beleza, presidente da SEDES, e Álvaro Santos, presidente da CCDR-N, figuram entre os nomes mais conhecidos no plano supramunicipal. Os temas em debate incluem a competitividade na próxima década, a relevância das empresas para a região e o contributo da diáspora. O encerramento está agendado para as 16.30 horas, seguindo-se a Gala Empresarial, às 21 horas, no Teatro Auditório Municipal de Alijó.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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