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Incêndio em Escapães deixa 15 pessoas desalojadas em Santa Maria da Feira

Bombeiro e socorrista assistem mulher com bebé após incêndio em prédio urbano danificado.
Neste artigo
  1. Habitações atingidas
  2. Incêndio "muito violento"
  3. Câmara avalia necessidade de realojamento

Quinze pessoas ficaram sem casa após um violento incêndio que deflagrou na madrugada desta segunda-feira num edifício habitacional em Escapães, Santa Maria da Feira. O fogo terá começado numa loja no rés-do-chão, propagando-se depressa às caves usadas como armazéns e alcançando vários apartamentos, o que obrigou os bombeiros a evacuar todos os residentes.

A tranquilidade da madrugada desta segunda-feira foi quebrada pelas chamas que, em escassos minutos, converteram um prédio de habitação em Escapães, no concelho de Santa Maria da Feira, num cenário de elevada tensão. Quinze moradores tiveram de sair apressadamente das suas casas para fugir ao incêndio, que se disseminou com grande rapidez e provocou danos significativos no edifício. Apesar da intensidade do fogo, não foram registados feridos, embora os residentes aguardem, com preocupação, a decisão sobre a possibilidade de regressarem às habitações.

O alerta foi dado por volta das 0.30 horas, tendo o incêndio começado, alegadamente, num estabelecimento comercial instalado no rés-do-chão do prédio, situado no Lugar da Meia Légua. À chegada dos Bombeiros Voluntários de Arrifana, a loja encontrava-se já inteiramente consumida pelas chamas, que depressa se alimentaram nos pisos subterrâneos, destinados a armazéns.

O fogo alastrou de forma fulminante. Num dos espaços de armazenamento estava estacionado um camião, que foi totalmente destruído, aumentando a intensidade das chamas e a carga térmica no interior do edifício.

Nos andares superiores, onde dormiam vários residentes, viveram-se momentos de forte ansiedade. Perante a rápida evolução do incêndio, os bombeiros deram prioridade à retirada dos moradores, levando-os em segurança pela caixa de escadas antes de o fumo e o calor dificultarem ainda mais a operação. As pessoas desalojadas foram encaminhadas para um restaurante nas proximidades, onde permaneceram durante o combate ao fogo e receberam o apoio necessário.

Habitações atingidas

Numa fase inicial, o incêndio manteve-se limitado à zona inferior do prédio, mas a força das chamas acabou por atingir dois apartamentos, situados no primeiro e no segundo pisos. As outras 12 frações sofreram estragos causados pelo calor intenso e pelo fumo, que se espalhou por quase todo o edifício.

Os danos aparentes poderão não ser a única preocupação. As temperaturas extremamente elevadas registadas durante o incêndio suscitam dúvidas sobre a estabilidade da estrutura, pelo que será feita uma peritagem técnica para apurar se estão reunidas as condições de segurança necessárias ao regresso dos residentes.

Incêndio "muito violento"

Em declarações ao JN, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Arrifana, Ricardo Castro, descreveu a ocorrência como um incêndio "muito violento", destacando a sua "progressão muito rápida". O comandante indicou que só a avaliação estrutural permitirá determinar se o prédio poderá voltar a ser habitado, mesmo que de forma parcial ou com condicionamentos.

Entretanto, os Serviços Municipais de Proteção Civil da Câmara de Santa Maria da Feira acompanham as famílias afetadas, avaliando quais precisam de realojamento temporário e quais têm alternativa junto de familiares ou amigos.

No combate às chamas estiveram envolvidos cerca de 50 operacionais e 16 viaturas dos Bombeiros de Arrifana, apoiados pelas corporações de Lourosa, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Carvalhos, Fajões, Espinho, Arouca e Vale de Cambra. A GNR garantiu a segurança do perímetro, enquanto a Polícia Judiciária também esteve no local e deverá conduzir a investigação destinada a apurar a origem do incêndio.

Câmara avalia necessidade de realojamento

O vereador da Proteção Civil da Câmara de Santa Maria da Feira, Vítor Marques, revelou ao JN que uma comissão de vistorias já está no local para analisar as condições de segurança estrutural do edifício. Simultaneamente, os serviços municipais de Ação Social foram mobilizados para identificar possíveis necessidades de realojamento e assegurar outros apoios às famílias atingidas. Sobre a origem do incêndio, o autarca afirmou que as causas continuam, por enquanto, por determinar.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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