As escadas rolantes da estação de comboios da Trofa estão paradas desde o inverno e há também um elevador avariado. Os maiores constrangimentos recaem sobre pessoas com mobilidade reduzida.
Ana Teixeira chega do Porto ao fim da tarde, transportando a trotineta à mão, e sai do comboio na linha 1 da estação da Trofa. Por volta das seis e meia, relata uma situação que considera impensável: as escadas rolantes estão avariadas "desde o inverno" e o elevador da linha 2 também deixou de funcionar. Como os cais se situam num piso elevado, já assistiu a "uma senhora de cadeira de rodas a ser levada ao colo" por outros passageiros.
O problema prejudica especialmente idosos, pessoas com mobilidade reduzida, utilizadores com carrinhos de bebé e passageiros com bagagens, gerando indignação entre quem utiliza a estação. Em resposta ao JN, a Infraestruturas de Portugal (IP) assegura que o elevador voltará a funcionar na terça-feira, embora não avance uma data para a reparação das escadas. Já a Câmara da Trofa afirma que o presidente, Sérgio Araújo, "tem acompanhado pessoalmente este processo, intervindo de forma persistente junto da administração da IP, exigindo a rápida resolução das anomalias e alertando para os prejuízos diários causados aos cidadãos".
"Muito urgente"
"Um dia, vinha uma senhora em cadeira de rodas, e as pessoas tiveram de pegar nela ao colo. E a estação só tem um segurança; não tem quem ajude. Se não forem as pessoas que vão para o comboio a ajudar, [os utentes com deficiência] não têm como subir ou descer", relata Ana Teixeira, de 33 anos, que tem de levar a trotineta nos braços.
"Já não tenho andado muito com a trotineta por causa disto, porque tenho de carregá-la todos os dias pelas escadas. No meu caso, felizmente é só a trotineta, mas isto causa muito transtorno às pessoas em cadeiras de rodas e com carrinhos de bebés", salienta a passageira, que diz ter apresentado, no início de junho, "uma reclamação à IP".
Segundo a utente, a empresa respondeu-lhe "a dizer que faltava uma peça nas escadas" e que "o elevador já estava a funcionar, mas não está". "Só esteve cerca de uma semana, em maio, e voltou a avariar", recorda Ana Teixeira, que trabalha no Porto e recorre diariamente ao comboio.
Também esta semana, na Assembleia da República, a deputada socialista Joana Lima, antiga presidente da Câmara da Trofa, pediu ao Governo que resolva a situação. "Pelo menos a questão do elevador é muito urgente. Isto é vergonhoso para o Estado e para a IP" e "causa muitos problemas aos utentes", avisou a ex-autarca.
"Comprei a trotineta para deixar de trazer o carro até à estação e poupar gasolina, mas durante algum tempo nem andei com ela, por causa disto. São 20 quilos que tenho de carregar", calcula Ana Teixeira.
"Falta-me o ar"
Laura Oliveira e Maria José Silva, cunhadas com mais de 70 anos e problemas de saúde, dizem sentir muitas dificuldades para subir e descer a escadaria. Para chegar às plataformas de embarque, têm de enfrentar três lanços de escadas.
"Custa-me muito. Chego a meio das escadas e falta-me o ar. É muito alto", lamenta Laura, de 76 anos, com "problemas na coluna e nos joelhos". Desce apoiada pelo marido, Alcino, de 82 anos. Maria José, que tem "fibromialgia e osteoporose grave", admite que lhe "custa muito" subir e descer os degraus.
Elevador da linha 2 volta ao serviço na terça-feira
A IP esclarece que as escadas "sofreram danos durante a tempestade Kristin" e que começou de imediato a procurar uma "solução de reparação". Contudo, em maio registaram-se "danos adicionais", causados por "uma inundação provocada por águas residuais", o que obrigou à "reavaliação da intervenção prevista". A reparação está agora "em curso".
Quanto ao elevador, a empresa indica que "foi detetada, a 27 de maio, uma avaria técnica". Os trabalhos de reparação também estão "em curso", estando prevista a "reposição do serviço na terça-feira". A autarquia refere que tem pressionado a IP "para que sejam encontradas soluções com a maior urgência possível", uma vez que a situação "penaliza diariamente centenas de utilizadores".
Manuel Fernandes, passageiro: "Já vi pessoas de idade a quererem subir as escadas e não conseguir. Pelo menos, as escadas rolantes deviam estar a funcionar"
João Dias, passageiro: "Vejo aí muitas pessoas de idade com problemas motores e pessoas com crianças ao colo, e para eles é mais complicado"






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