As classificações dos exames nacionais dividiram os encarregados de educação ouvidos na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, em Matosinhos, entre a contestação e a confiança. Enquanto algumas famílias ponderam pedir reapreciações por entenderem que os resultados são inesperados, outras consideram prematuro avaliar o novo modelo de correção. Nas pautas, eram também visíveis as classificações suspensas de mais de uma dezena de alunos.
Exames nacionais motivam pedidos de reapreciação
Rogério Ferreira é um dos pais que contesta os resultados. A filha pretende candidatar-se ao Ensino Superior na área da Criminologia e, segundo explica, costuma obter entre 17 e 19 valores a Biologia. Por isso, a classificação de apenas 10 valores apanhou a família de surpresa.
"Ela sempre teve uma nota muitíssimo mais elevada. Este é o segundo teste. No primeiro teve 15 e agora aparece um 10. Não faz sentido", afirmou Rogério Ferreira, ao JN.
O encarregado de educação conta que a jovem saiu do exame segura de que tinha feito uma boa prova e que nunca revelou dificuldades nesta disciplina. "Ela é muito forte a Biologia. Sempre teve 17, 18 e 19. Agora aparece aqui um 10. É algo de muito estranho. Nunca vi a minha filha ter esta nota", refere.
Sem avançar para conclusões precipitadas, Rogério Ferreira assegura que a filha irá pedir a consulta da prova para compreender o sucedido. "Não quero usar isto como desculpa. Tem é de se perceber o que aconteceu", afirma.
"Que exemplo para os nossos filhos"?
Para Olga Ferreira, mãe de outra aluna, a forma como as classificações foram divulgadas deixou as famílias num clima de incerteza. "Existe uma indefinição enorme. Quando começamos a ter dúvidas sobre o sistema educativo, qual é o exemplo que estamos a passar aos nossos filhos?", questiona.
Além dessa incerteza, a encarregada de educação aponta o efeito dos sucessivos adiamentos na organização da família. "As situações estavam todas programadas, mas foram sendo adiadas. Neste momento já não vamos de férias. Tudo isto interfere com a gestão da família", lamenta.
Sofia Lemos também pretende apresentar um pedido de reapreciação. O filho, estudante do 11.º ano, teve uma descida de 16 para 11 valores no exame de Geografia, uma classificação que, na sua perspetiva, não corresponde aos conhecimentos demonstrados durante o ano. "É muito pouco para aquilo que ele sabia", afirma.
A situação mais inesperada verificou-se, no entanto, a Inglês. De acordo com Sofia Lemos, o filho não tem classificação na componente oral, uma vez que o sistema assinala a ausência à prova, "mas ele esteve cá a fazer o exame", garante.
Correção das provas em causa
Face a estas situações, decidiu solicitar a consulta das provas e avançar para a reapreciação. Sofia Lemos entende ainda que o atual modelo de correção poderá dificultar uma avaliação global do desempenho dos alunos.
"Pelo que nos foi dito, os professores não recebem o exame todo para analisar, apenas uma pergunta. Quando se avalia um exame na totalidade, consegue-se perceber melhor o conhecimento do aluno", defende.
"Não tenho razões para duvidar do rigor"
Nem todos os encarregados de educação analisam o processo da mesma maneira. Vítor Oliveira admite que a divulgação das classificações teve atrasos e alguma desorganização, mas defende que esses problemas não representam, por si só, falta de rigor na avaliação. "O processo teve sobressaltos e demorou mais tempo do que seria desejável, mas isso não significa que tenha faltado rigor. Até ao momento, não tenho qualquer razão para duvidar da forma como as provas foram corrigidas", afirma.
Na perspetiva deste pai, o novo modelo poderá mesmo ser uma melhoria face ao anterior, ao permitir uma maior uniformização dos critérios de avaliação entre escolas.
"Na teoria, o processo parece-me fazer mais sentido do que o anterior. Antes, um professor podia interpretar os critérios de avaliação de forma diferente de outro. Uma avaliação mais horizontal parece-me positiva", sustenta.
Ainda assim, Vítor Oliveira identifica questões que devem ser resolvidas rapidamente, sobretudo para os alunos que precisam de recorrer à segunda fase. "Há alunos que têm exames diferentes para o mesmo processo de candidatura no mesmo dia. Parece-me que isso devia ser ajustado para não os prejudicar", alerta.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário