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María Corina Machado defende renovação urgente do Conselho Nacional Eleitoral na Venezuela

Manifestantes com bandeiras da Venezuela e fotografias segurando cartazes enquanto uma mulher fala em megafone.
Neste artigo
  1. María Corina Machado exige novo Conselho Nacional Eleitoral
  2. Concentrações em Lisboa e no Funchal com adesão limitada
  3. Manifestações internacionais pelos presos políticos na Venezuela

A dirigente da oposição venezuelana María Corina Machado defendeu, este domingo, uma renovação urgente do Conselho Nacional Eleitoral como requisito para a realização de eleições na Venezuela. O apelo surge num dia de manifestações em diversas cidades do mundo que exigem a libertação de presos políticos.

María Corina Machado exige novo Conselho Nacional Eleitoral

Numa intervenção em Washington, Corina Machado sustentou que a Venezuela precisa de "um novo Conselho Nacional Eleitoral", respeitador da Constituição e formado por pessoas independentes, com "honorabilidade" e "credibilidade". Defendeu igualmente a actualização do registo eleitoral e a presença permanente de observadores internacionais.

A líder opositora classificou ainda como "fundamental" o desmantelamento da estrutura repressiva venezuelana e voltou a exigir a libertação de todos os presos políticos, que calcula serem mais de 500, entre civis e militares.

Corina Machado apelou à realização, este domingo, de concentrações em mais de 120 cidades de todo o mundo, em solidariedade com os presos políticos e os perseguidos pelo regime venezuelano. Em Portugal, a Lusa verificou uma participação reduzida em dois dos locais anunciados: Lisboa e Funchal, na Região Autónoma da Madeira.

Concentrações em Lisboa e no Funchal com adesão limitada

Na Madeira, cerca de dez pessoas reuniram-se junto à Rotunda do Infante, no centro do Funchal.

À agência Lusa, Ana Cristina Monteiro, coordenadora do Comando Com Venezuela em Portugal e residente na Madeira, explicou que a acção visa alertar para os 500 presos políticos que aguardam libertação, entre os quais "pelo menos três são lusodescendentes".

"Não pode haver transição para uma democracia sem a libertação desses presos políticos. Não existe liberdade, nem democracia, com presos políticos", afirmou.

A responsável acrescentou que antecipava uma participação pouco expressiva no protesto, dado que se assinala o Dia da Mãe e muitas pessoas optaram por assistir ao cortejo alegórico da Festa da Flor.

"No entanto, nós estamos aqui a apoiar o resto dos nossos venezuelanos no mundo nesta iniciativa e estaremos noutras oportunidades também, porque não vamos desistir até libertarmos o último venezuelano ou estrangeiro que esteja preso politicamente na Venezuela", sublinhou.

Em Lisboa, a concentração decorreu na zona do Parque das Nações, onde estiveram cerca de 12 pessoas.

Entre os participantes encontrava-se a luso-venezuelana Maria Oliveira, que considera que a libertação dos presos políticos deve ocorrer antes de qualquer processo eleitoral.

"Existir presos políticos quer dizer que não mudou nada. Seja uma só pessoa que está presa, já isso quer dizer que não há liberdade", argumentou.

Elvira Morales, que vive em Portugal há 20 anos, disse acompanhar com "muita angústia" a situação na Venezuela e destacou a importância de um processo eleitoral "transparente".

"Estamos a lutar para ter um processo de eleição transparente. Sabemos que tanto o registo civil como o registo eleitoral na Venezuela está um caos, pois foi intervencionado pelo Governo, legalizando pessoas que nada têm a ver com o nosso país", alertou.

Manifestações internacionais pelos presos políticos na Venezuela

A líder da oposição venezuelana convocou a manifestação deste domingo em mais de 120 cidades de todo o mundo, incluindo em Portugal, em apoio aos presos políticos e às pessoas perseguidas naquele país sul-americano.

A vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025 encontra-se fora da Venezuela desde dezembro passado, altura em que se deslocou à Noruega para receber a distinção. Antes disso, permaneceu escondida durante um ano para evitar ser detida pelas autoridades, que a acusam de violência e de incitar a uma invasão militar.

A organização de Machado, o Comando com a Venezuela, definiu mais de 20 pontos de encontro em várias cidades venezuelanas, de acordo com várias publicações na sua conta de Facebook.

Em Caracas, um dos locais escolhidos é a sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), conhecida como El Helicoide, onde numerosos presos políticos estão ou estiveram detidos.

Estão também programadas 12 manifestações em Espanha, em cidades e locais como Madrid, Tenerife, Valência e Barcelona.

A lista de países abrangidos inclui ainda Itália, Portugal, Bélgica, Holanda, França, Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, Chile, Panamá, Equador, Uruguai, Colômbia e Peru.

Segundo a organização não-governamental (ONG) Foro Penal, há 454 presos políticos na Venezuela, incluindo 41 estrangeiros ou cidadãos com dupla nacionalidade. O país mantém, contudo, em vigor uma lei de amnistia limitada a determinados crimes e períodos específicos.

O Governo venezuelano afirma frequentemente que não há "presos políticos" no país e sustenta que os detidos estão encarcerados por crimes cometidos. Esta posição é contestada por várias organizações não-governamentais e partidos da oposição.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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