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Fátima prevê crescimento de 5% apesar da guerra no Médio Oriente

Pessoas a caminhar com malas numa praça fronteiriça, com igreja histórica ao fundo e avião a voar no céu azul.
Neste artigo
  1. Mercados asiáticos sustentam procura turística em Fátima
  2. Papa já convidado para vir a Fátima em 2027
  3. Peregrinação durante todo o ano reduz sazonalidade

A aproximação das celebrações religiosas de 13 de maio leva a região de Fátima a antecipar um desempenho turístico favorável durante todo o ano. Ainda assim, a guerra no Médio Oriente está a provocar cancelamentos de grupos asiáticos, um segmento particularmente relevante para o destino, representando mais de 10% da procura.

“Prevemos que Fátima feche o ano com um crescimento de 5%, mesmo se a operação da Ásia correr mal”, afirma Alexandre Marto Pereira, administrador executivo (CEO) do Fátima Hotels Group, um dos principais operadores locais, que reúne sete hotéis na região.

Mercados asiáticos sustentam procura turística em Fátima

De janeiro a novembro de 2025, os mercados asiáticos contabilizaram 132,5 mil dormidas em Fátima, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). No ano passado, o destino registou, no total, 1,28 milhões de dormidas. Alexandre Marto Pereira destaca o crescimento das comunidades católicas em países como a Coreia do Sul, as Filipinas, a Índia, o Vietname e o Sri Lanka, sublinhando que “se o cristianismo na Europa e Américas está estável, na Ásia continua a crescer”.

O responsável assinala ainda uma evolução inesperada para o sector na região: “Do nada, surgiram no ano passado 18,9 mil dormidas de indonésios em Fátima, mercado que não era habitual.”

A guerra no Irão desencadeou uma série de cancelamentos de grupos de peregrinos asiáticos. Só no Fátima Hotels Group, esses cancelamentos já ultrapassam 2000. Contudo, o gestor não demonstra preocupação, explicando que “uma parte substancial dessas noites tem vindo a ser substituída por outros mercados”.

Embora a procura asiática por Fátima permaneça elevada, os cancelamentos concentraram-se sobretudo entre os peregrinos cujas viagens incluíam escalas em hubs do Médio Oriente, nomeadamente no Dubai ou em Doha. “A guerra bloqueou a operação de três companhias (Emirates, Qatar e Ethiad) cujos hubs servem de escala a voos de diversas origens na Ásia, foram cancelados milhares de voos mas muitos já foram retomados”, esclarece.

Os voos diretos desde a Ásia, bem como as ligações com escalas noutros pontos, sentiram um impacto menos acentuado. A Coreia do Sul, o principal mercado asiático de Fátima, gerou mais de 57 mil dormidas em 2025 e não revela descidas “pelo facto de termos um voo direto de Seul a Lisboa”. A China também dispõe de ligações diretas à capital portuguesa, embora “as ligações da Ásia a Lisboa são mínimas e, não havendo slots, não podem crescer”. O empresário acrescenta que “parte significativa dos fluxos asiáticos em Fátima são gerados via aeroporto de Madrid, e esses não foram afetados”.

Fátima tem uma oferta de cerca de 8 mil camas turísticas, sem contar com alojamento local

Antes da pandemia de covid-19, a Coreia do Sul gerava em Fátima mais de 100 mil dormidas por ano. Alexandre Marto Pereira considera, por isso, que “esperamos que o mercado da Ásia continue a crescer, é o continente com o maior aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e de riqueza internacional, o país não pode virar costas a esses fluxos, e a retração que está a acontecer com a guerra é uma questão logística, que se vai resolver”.

Papa já convidado para vir a Fátima em 2027

As reservas nos hotéis de Fátima para o restante ano estão a crescer em vários mercados europeus, começando pelos portugueses. Nos primeiros dois meses, as dormidas de residentes nacionais no concelho de Ourém aumentaram 39%, colocando-o como o concelho português com maior crescimento turístico no período, segundo o INE. “Mesmo com as tempestades, Fátima foi o destino nacional que mais cresceu em janeiro e fevereiro, com um aumento homólogo de 14%, quando a média do país foi inferior a 2%”, observa o hoteleiro.

O Santuário de Fátima, contactado pelo Expresso, indica um “aumento” dos peregrinos registados entre 1 de janeiro e 26 de abril: foram contabilizados 859 mil, face aos 820 mil verificados no período homólogo de 2025. No conjunto, participaram em 2,7 mil celebrações. Espanha, Polónia, Itália, EUA e Brasil surgem entre as principais origens, enquanto a Coreia do Sul ocupa a sétima posição.

Com cerca de oito mil camas em hotéis classificados - excluindo o alojamento local e as unidades da Igreja -, Fátima conserva a habitual previsão de ocupação de 100% para a noite de 12 para 13 de maio. Em 2025, essa data reuniu 8,8 mil peregrinos registados.

As perspetivas de crescimento para 2027 ganham força, ano em que o santuário assinala os 110 anos das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos. O Papa Leão XIV já recebeu um convite de D. José Ornelas, bispo da diocese Leiria/Fátima, para presidir às celebrações.

Peregrinação durante todo o ano reduz sazonalidade

Alexandre Marto Pereira salienta que o peso do 13 de maio deixou de marcar, por si só, o começo da época turística: “o 13 de maio costumava ser a abertura de época, hoje não é verdade, cada vez temos mais peregrinos o ano todo, muitos vêm a pé, e a sazonalidade em Fátima já é mais baixa do que no Algarve”.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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