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Construtores chineses triplicam produção no exterior até 2030

Carro elétrico vermelho futurista 2030 Vision exposto em sala com vidro e reflexos urbanos à noite.
Neste artigo
  1. Europa e América Latina no centro da estratégia
  2. Fornecedores vão ter de melhorar
  3. Construtores já se começam a juntar

Durante anos, a estratégia dos construtores chineses nos mercados externos assentou nas exportações: produzir na China para comercializar em todo o mundo. Contudo, esse modelo está a perder força. A nova prioridade passa por fabricar nos próprios mercados onde pretendem expandir-se.

Um estudo da consultora AlixPartners, que recolheu respostas de mais de mil executivos da indústria automóvel, fornecedores Tier 1 e empresas de tecnologia, indica que os fabricantes chineses querem triplicar a produção fora do país, atingindo 3,4 milhões de veículos até 2030. Como comparação, em 2025 foram fabricados no exterior apenas 1,2 milhões de veículos.

Esta reorientação resulta, em parte, da intensa competitividade verificada no mercado chinês nos últimos anos. O relatório aponta ainda para uma redução intencional dos riscos associados à exposição política, bem como para a procura de uma procura mais previsível.

Europa e América Latina no centro da estratégia

Embora, há pouco tempo, os construtores chineses privilegiassem mercados como a Rússia e o Médio Oriente, a atenção está agora voltada para a Europa e a América Latina. No total, os fabricantes chineses preveem produzir em pelo menos 16 países fora da China. Já existem investimentos na Hungria, na Turquia e na Tailândia, com o objetivo de estender a presença ao continente americano.

Na América Latina, o domínio chinês já tem peso: as marcas do país asiático representam cerca de 1/5 do mercado automóvel total da região e concentram mais de metade das vendas de veículos elétricos. O estudo identifica a América do Sul como uma oportunidade especialmente atrativa, devido à sensibilidade dos consumidores aos preços e à vulnerabilidade das vantagens competitivas dos fabricantes instalados.

Na Europa, o sul do continente está a consolidar-se como a principal porta de entrada. O relatório salienta que uma gestão de produto sólida e orientada para o cliente será decisiva para o êxito das marcas chinesas no continente, ao contrário da abordagem atual, que continua muito centrada na engenharia.

A passagem de exportador a produtor local já está patente em investimentos concretos. A BYD prepara-se para iniciar a produção na sua primeira fábrica europeia, situada na Hungria, e planeia uma segunda unidade em Espanha. A MG (da SAIC), a Changan Automobile e a Great Wall Motors também preveem fabricar na Europa.

Fornecedores vão ter de melhorar

O estudo deixa um alerta inequívoco aos fornecedores do setor. “É evidente que os construtores e fornecedores chineses têm planos ainda maiores, começando com uma maior produção local. Muitos fornecedores vão ter de escolher entre procurar oportunidades com empresas chinesas ou manter os seus clientes atuais. De qualquer forma, vão precisar de melhorar”, afirmou Andrew Bergbaum, colíder global da área automóvel e industrial da AlixPartners.

“O custo e a velocidade dos construtores chineses são de classe mundial, e os concorrentes estrangeiros têm de se focar nos atributos que os clientes realmente valorizam, sendo apenas ‘bons o suficiente’ no resto”, disse Dan Hearsch, que assume o mesmo papel de Andrew.

De acordo com o relatório, a decisão está “em cima da mesa” para toda a indústria automóvel ocidental: estabelecer alianças com concorrentes chineses em rápido crescimento ou transformar-se depressa para igualar a sua competitividade em custos e capacidade tecnológica. O prazo para tomar essa decisão está a diminuir.

Construtores já se começam a juntar

Os construtores automóveis já reagiram, e as parcerias com fabricantes chineses têm-se multiplicado. Segundo a Bloomberg, a Stellantis estará a negociar com a Dongfeng a venda ou a partilha de quatro fábricas.

A Leapmotor, parceira chinesa da Stellantis, também vai começar a fabricar elétricos numa unidade do grupo europeu em Espanha, no final deste ano.

Entre as várias alianças em discussão, a Ford e a Geely estarão a negociar uma parceria industrial na Europa, que poderá permitir ao grupo chinês utilizar a fábrica da marca norte-americana em Espanha. Por seu lado, a Nissan estará igualmente em negociações com a Chery sobre a hipótese de produzir modelos da marca chinesa na sua fábrica de Sunderland, em Inglaterra.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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