Hegseth rejeita críticas sobre a guerra com o Irão
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, refutou as acusações feitas por senadores democratas de que a guerra contra o Irão foi iniciada sem evidências de uma ameaça iminente e levada a cabo sem uma estratégia consistente.
Na intervenção inicial perante o Comité de Serviços Armados do Senado, na quinta-feira, Hegseth classificou os congressistas democratas como "pessimistas imprudentes" e "derrotistas das cadeiras da retaguarda", por, segundo disse, não reconhecerem os vários êxitos alcançados pelas forças armadas contra a República Islâmica do Irão. Hegseth afirmou que o Presidente Donald Trump demonstrou coragem, "ao contrário de outros presidentes, de garantir que o Irão nunca obtenha uma arma nuclear e que a sua chantagem nuclear nunca tenha sucesso". "Temos o melhor negociador do mundo a conduzir um grande acordo", asseverou.
Durante a audiência, o secretário da Defesa norte-americano deu ainda a entender que Donald Trump poderá não cumprir a Lei de Poderes de Guerra de 1973. Segundo esta legislação, o Congresso tem de declarar guerra ou autorizar a utilização da força no prazo de 60 dias, período que termina esta sexta-feira. “Estamos num cessar-fogo neste momento, o que, segundo o nosso entendimento, significa que o prazo de 60 dias é suspenso ou interrompido”, disse Hegseth.
A lei permite, contudo, um eventual prolongamento de 30 dias, embora a administração republicana ainda não tenha esclarecido publicamente se o Presidente tenciona pedi-lo. Questionado pelos senadores sobre a posição da Casa Branca, Hegseth não respondeu.
Democratas apontam custos e falta de estratégia
Jack Reed, o principal democrata no comité, sustentou que a guerra com o Irão deixou os Estados Unidos numa situação estratégica mais desfavorável. Reed indicou que o Estreito de Ormuz está encerrado, que os preços dos combustíveis aumentaram acentuadamente e que morreram 13 militares norte-americanos. "Estou preocupado de que tenha estado a dizer ao Presidente o que ele quer ouvir em vez do que ele precisa ouvir," sublinhou Reed. "Garantias ousadas de sucesso não são um serviço, tanto para o comandante-em-chefe, quanto para as tropas que arriscaram as suas vidas com base nelas", adiantou.
Reed criticou também Hegseth pelo afastamento de altos responsáveis militares do Pentágono. Sugeriu ainda que o secretário da Defesa demonstra um forte interesse pelo Cristianismo e pelo nacionalismo, mas não valoriza os feitos das mulheres e das pessoas de cor nas forças armadas. O senador democrata salientou que 60% de aproximadamente duas dezenas de oficiais despedidos por Hegseth eram mulheres ou negros.
Em resposta, Hegseth afirmou que todos os despedimentos são decididos com base no desempenho, acusando anteriores líderes do Pentágono de estarem "focados na engenharia social, raça e género", de formas "pouco saudáveis para o departamento". "O nosso departamento permite uma multiplicidade de crenças", afirmou Hegseth. "Não sei o que está a sugerir. Já ouvi coisas do género, que pessoas como você sugerem, para tentar manchar o meu caráter, e não vou ceder a isso", sublinhou.
Orçamento da Defesa para 2027 em debate no Senado
O comité do Senado reuniu-se para analisar a proposta da administração Trump para o orçamento militar de 2027, que elevaria a despesa com a Defesa para o valor recorde de 1,5 biliões de dólares. Hegseth e o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, têm defendido um reforço dos drones, dos sistemas de defesa antimíssil e dos navios de guerra.
Por sua vez, o senador Roger Wicker, presidente republicano do comité, recebeu Hegseth de forma mais favorável, tal como outros legisladores do seu partido. Ao abrir a sessão, Wicker afirmou que os Estados Unidos enfrentam o cenário de segurança mais perigoso desde a Segunda Guerra Mundial e elogiou a utilização das forças armadas por Trump na guerra contra o Irão.
Trump "trabalhou para remover as capacidades militares convencionais do regime e forçá-lo a regressar à mesa para uma solução permanente", defendeu Wicker. O senador republicano enalteceu igualmente a proposta orçamental de Trump para 2027, que considerou "repleta de programas e iniciativas importantes que são absolutamente necessários para garantir os interesses americanos no século XXI".
Na quarta-feira, Hegseth já tinha entrado em confronto com os democratas numa audição de quase seis horas da Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes. Nessa sessão, foi questionado sobre os custos financeiros da guerra, as perdas de vidas e a diminuição dos stocks de armamento essencial.
Os democratas entendem que se trata de uma guerra cara e deliberadamente escolhida, sem aprovação nem fiscalização do Congresso. Apesar disso, não conseguiram aprovar várias resoluções sobre poderes de guerra que obrigariam Trump a suspender o conflito até o Congresso autorizar a ação adicional.






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