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Austrália investiga óculos inteligentes Anko e a aplicação HeyCyan

Homem de fato azul ajusta óculos enquanto olha para smartphone na rua em dia ensolarado.
Neste artigo
  1. Investigação aos óculos inteligentes Anko e à aplicação HeyCyan
  2. Funcionalidades e riscos de privacidade dos óculos inteligentes
  3. Restrições debatidas na Noruega e em França

Investigação aos óculos inteligentes Anko e à aplicação HeyCyan

A Austrália iniciou uma investigação à recolha e ao armazenamento de dados pessoais associados a óculos inteligentes de baixo custo.

O inquérito incide sobre a Shenzhen Qingcheng, empresa chinesa responsável pela aplicação HeyCyan, necessária para utilizar os óculos Anko. Estes óculos inteligentes, comercializados em toda a Austrália, custam 89 dólares australianos (55 euros).

No mês passado, o Gabinete do Comissário Australiano para a Informação (OAIC) enviou pedidos de esclarecimento a várias empresas ligadas ao fabrico dos óculos, entre as quais a Meta, a Kmart, a Google e a Shenzhen Qingcheng. As questões centraram-se nos métodos usados para recolher e guardar dados.

"Na ausência de resposta da Shenzhen Qingcheng aos pedidos preliminares da OAIC, não tenho garantias de que a empresa proteja os dados pessoais dos australianos, tal como exigido pela Lei da Privacidade", declarou a comissária para a proteção da privacidade, Carly Kind.

De acordo com a comissária, esta ausência de resposta "suscita preocupações quanto às práticas, procedimentos e sistemas da entidade para proteger as informações pessoais que detém".

Kind pediu também prudência aos retalhistas. "Tendo em conta os riscos específicos que a OAIC identificou relativamente à aplicação HeyCyan, convido os retalhistas em causa a ponderarem se é adequado continuar a comercializar estes dispositivos", disse.

Funcionalidades e riscos de privacidade dos óculos inteligentes

Os óculos inteligentes permitem captar fotografias, filmar vídeos, efetuar chamadas, traduzir texto e interagir com robôs conversacionais baseados em inteligência artificial (IA).

Em diversos países, têm surgido críticas relativas às violações de privacidade que estes equipamentos podem facilitar. Entre os casos apontados contam-se vídeos de mulheres gravadas e posteriormente publicados na Internet sem o respetivo consentimento.

Restrições debatidas na Noruega e em França

Em outubro, o Governo da Noruega anunciou a intenção de suspender o uso destes óculos em alguns espaços públicos.

Em França, a associação de defesa das crianças e-Enfance afirmou, em setembro, ter recebido vinte denúncias de mulheres filmadas sem consentimento, sendo que a maioria dos casos envolvia óculos Meta.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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