Investigação aos óculos inteligentes Anko e à aplicação HeyCyan
A Austrália iniciou uma investigação à recolha e ao armazenamento de dados pessoais associados a óculos inteligentes de baixo custo.
O inquérito incide sobre a Shenzhen Qingcheng, empresa chinesa responsável pela aplicação HeyCyan, necessária para utilizar os óculos Anko. Estes óculos inteligentes, comercializados em toda a Austrália, custam 89 dólares australianos (55 euros).
No mês passado, o Gabinete do Comissário Australiano para a Informação (OAIC) enviou pedidos de esclarecimento a várias empresas ligadas ao fabrico dos óculos, entre as quais a Meta, a Kmart, a Google e a Shenzhen Qingcheng. As questões centraram-se nos métodos usados para recolher e guardar dados.
"Na ausência de resposta da Shenzhen Qingcheng aos pedidos preliminares da OAIC, não tenho garantias de que a empresa proteja os dados pessoais dos australianos, tal como exigido pela Lei da Privacidade", declarou a comissária para a proteção da privacidade, Carly Kind.
De acordo com a comissária, esta ausência de resposta "suscita preocupações quanto às práticas, procedimentos e sistemas da entidade para proteger as informações pessoais que detém".
Kind pediu também prudência aos retalhistas. "Tendo em conta os riscos específicos que a OAIC identificou relativamente à aplicação HeyCyan, convido os retalhistas em causa a ponderarem se é adequado continuar a comercializar estes dispositivos", disse.
Funcionalidades e riscos de privacidade dos óculos inteligentes
Os óculos inteligentes permitem captar fotografias, filmar vídeos, efetuar chamadas, traduzir texto e interagir com robôs conversacionais baseados em inteligência artificial (IA).
Em diversos países, têm surgido críticas relativas às violações de privacidade que estes equipamentos podem facilitar. Entre os casos apontados contam-se vídeos de mulheres gravadas e posteriormente publicados na Internet sem o respetivo consentimento.
Restrições debatidas na Noruega e em França
Em outubro, o Governo da Noruega anunciou a intenção de suspender o uso destes óculos em alguns espaços públicos.
Em França, a associação de defesa das crianças e-Enfance afirmou, em setembro, ter recebido vinte denúncias de mulheres filmadas sem consentimento, sendo que a maioria dos casos envolvia óculos Meta.






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